Há restaurantes que se explicam pelo prato principal. O Suud se explica pelo centro da mesa. É ali que chegam, todos juntos, o hummus, a coalhada seca, o tabule, as kaftas no pau de canela e o pão árabe ainda quente. Ninguém tem prato próprio por muito tempo. É assim na tradição árabe, e é assim numa esquina de Icaraí.
Da Moreira César à Otávio Carneiro
O nome já circulava em Niterói antes do endereço atual. Em 2019, uma reportagem de O Globo registrava o Suud numa loja da Rua Moreira César, com um mezze no cardápio que custava R$ 55. A casa cresceu e se mudou para a Rua Otávio Carneiro, 8, no mesmo bairro, onde funciona hoje, todos os dias, das 11h às 22h.
A ficha do restaurante no Google o descreve como uma cozinha síria comandada por um chef vindo da Síria. A apresentação da rede de franquias fala em herança libanesa. As duas pistas apontam para o mesmo mapa: o Levante, região onde o mezze é menos um prato do que um modo de comer.

Uma cozinha que explica o que serve
Quem acompanha o Suud nas redes sociais percebe um hábito raro: a casa explica a comida. Conta que o babaganoush é berinjela defumada, que o falafel é grão-de-bico com ervas, que as folhas de uva usadas na cozinha vêm da Vinícola Famiglia Maioli. O pão árabe, diz o próprio restaurante, é artesanal.
O cardápio passeia entre a tradição e alguns desvios bem-vindos. Há o kibe cru, servido com cebola, hortelã e azeite, e há o Kebab Bodrum, inspirado na Riviera Turca, com filé-mignon, batata palha, coalhada seca e molho turco. Para o fim da refeição, chá ou café turco e doces como o mamul, recheado com tâmaras.
Esse impulso didático chegou ao site. O Ahlan, atendente digital do Suud, responde o que é nayee ou labanie, monta o pedido de delivery e entrega a mensagem pronta no WhatsApp da casa. O nome vem da saudação árabe de boas-vindas, a mesma que abre a conversa.
Mesa, palco e sala de aula
Com o tempo, o salão ganhou outros usos. Recebeu noites de Julio Morgado cantando Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Milton Nascimento e Fagner; cafés-concerto que misturam literatura e música; apresentações de dança oriental com Aaminah Al Abdalla. Também abriu as portas para aulas, palestras, aniversários e confraternizações de empresa.
Nas datas importantes, o Suud vai até a casa dos clientes. Já preparou ceias de fim de ano com hummus, tabule, cordeiro e arroz maklub, e mantém uma linha de congelados para quem quer a cozinha árabe na geladeira.
O que não mudou
Endereço, cardápio e programação mudaram ao longo dos anos. O gesto continua o mesmo: pratos no centro, pão passando de mão em mão e uma conversa que não tem pressa de acabar. O resto é detalhe, e cabe num mezze.
Fontes: reportagens de O Globo (2019, 2023 e 2024), ficha pública do restaurante no Google, perfil @suud.restaurante e apresentação da rede de franquias. Informações históricas não representam cardápio ou preços atuais.

